A Ecologia do Movimento é uma área relativamente nova da Ecologia que dedica-se a estudar os processos biológicos ou ecológicos associados com a dispersão e movimentação de animais (e plantas carregadas por eles) em paisagens naturais ou alteradas pelo ser humano. A movimentação é um processo elementar na vida dos seres vivos, pois ocorre cotidianamente na conquista de territórios, busca por alimentos, fuga de predadores e busca por parceiros sexuais.

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Um estudo publicado recentemente na PNAS (Holyok et al. 2008) indica que na última década um total de 26.000 artigos foi publicado na área de 'movimento', sendo que tais trabalhos abrangem aspectos internos do organismo (motivação, comportamento, fisiologia), fatores externos (estrutura da paisagem, interações com outras espécies, regimes de perturbação) e capacidade de navegação dos organismos (navegação e orientação). Há uma natural associação entre a Ecologia do Movimento e a Ecologia de Paisagens, pois regimes rotineiros ou esporádicos de movimentação dos organismos é realizado na matriz de paisagem ou nos elementos que nela inseridos. Assim, a dinâmica da paisagem afeta a dispersão das espécies e, por sua vez, as espécies mudam a paisagem ao longo do tempo (dispersando sementes, predando espécies, ocupando territórios e assim por diante).

Uma das áreas de interesse do Laboratório de Planejamento para a Conservação da Biodiversidade é estudar a dinâmica de dispersão das espécies em ambientes fragmentados e simular possíveis rotas de dispersão entre áreas núcleo ou fragmentos significativos. Uma das abordagens utilizadas, como mostra o exemplo abaixo, é utlizar a técnica do caminho-de-menor-custo (least cost path) para indicar potenciais rotas de dispersão. A técnica parte da criação de uma superfície de custo de deslocamento que é criada a partir de modelos de hábitat.

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Figura 1. A figura mostra o caminho-de-menor-custo simulado para a dispersão entre dois fragmentos de vegetação nativa na área de entorno da UHE Serra do Facão (Goiás). A linha roxa mostra a rota simulada na ausência do reservatório e a linha vermelha mostra a rota de dispersão esperada com a presença do reservatório. Fonte: R.B. Machado (dados não publicados).

Outra abordagem muito utilizada para avaliar a movimentação dos organismos é o uso de técnicas de rádio-telemetria, onde indivíduos de espécies selecionadas são monitorados em campo. Rádios-transmissores são acoplados ao corpo dos animais e o rastreamento dos sinais indicará a provável localização do indivíduo em campo. Estudos pioneiros com espécies de morcegos do Cerrado foram realizados no Distrito Federal sob a coordenação da Profa. Ludmilla Aguiar, pesquisadora associada ao LaBIO. Os resutados são bastante promissores para que se entendam as movimentações das espécies no domínio do Cerrado, uma região naturalmente formada por um mosaico de diferentes ecossistemas.

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Figura 2. Nas fotos acima temos um indivíduo do morceguinho-do-cerrado (Lonchophylla dekeyseri) com um rádio transmissor fixado na região intraescapular e a equipe da Profa. Ludmilla que desenvolveu o estudo no Distrito Federal.

No LaBIO são desenvolvidas as seguintes pesquisas dentro da Ecologia do Movimento:

  • Monitoração dos movimentos de espécies por meio de rádio-telemetria
  • Modelagem da dispersão de organismos em paisagens fragmentadas
  • Análises da conectividade estrutural e funcional em paisagens fragmentadas
  • Desenho de corredores de conexão com base em estudos de movimentação da fauna
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